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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Por que se candidatar?


Percebi que as pessoas não me perguntam o porquê decidi me candidatar. Algumas pessoas mais interessadas perguntam as propostas, ou bandeiras que irei levantar. Outras interesseiras, o que irão ganhar com isso. Mas nunca o porquê.
Mas eu acredito que o “por que” e “como”, são fundamentais para entender “o que” eu quero com esse projeto. Então venho aqui neste espaço, do meu jeito, para dissertar / dissecar sobre.

É difícil tentar explicar algo que se sente, vive, que é quase inato. Quem me conhece sabe ou entende isso nas suas formas / escolhas de vida (os artistas, os militantes, as feministas, etc). Mas para quem ainda não conviveu comigo vai um pequeno histórico.
Conta minha mãe que desde pequena sempre fui muito independente. Sempre quis vestir a roupa sozinha (mesmo que ficasse do avesso), sempre fiz muitas coisas ao mesmo tempo, dança, pintura em gesso, informática, etc. E na sala de aula as professoras reclamavam que eu era comunicativa demais.
No ensino médio tive meu primeiro contato com o teatro, comecei um curso na Casa da Cultura de Campo Largo, onde além de me apaixonar pela arte, criei um grupo de amigos que não só dividiam a mesma paixão, como me mostravam um mundo novo. Debatíamos sobre questões filosóficas ou nem tanto, mas nos permitíamos ali, poder conversar sobre tudo que nos angustiava. Pois na adolescência (e algumas coisas até hoje) doem na carne, por mais subjetivas e existencialistas que possam ser, se materializam.
Foi neste período que começam as indagações políticas, grande parte pelo convívio com este grupo e seus componentes (Ana Paula, Cláudia, José Vilseki, Luiz, Karine, Karina, Sandro Punk e Filúvio). Cada um ao seu modo, fosse niilista, de esquerda, indeciso ou libertário, me fizeram indagar mais os fatos, que aconteciam comigo e com os outros. Nessa mesma época comecei a trabalhar como ofice girl em uma empresa de informática. E lembro até hoje que uma das reclamações de minha amiga era que eu estava “adulta demais”.
Aos 18 anos começo a trabalhar na Central Única dos Trabalhadores no projeto Formação para Formadoras (parceria CUT e SPM), onde desenvolvíamos cursos sobre gênero e a recém criada Lei Maria da Penha. Mudo para Curitiba e inicio o curso de Bacharelado em Artes Cênicas na Faculdade de Artes do Paraná.
PS: Antes de escolher o teatro, prestei vestibular para Química na UFPR, Engenhaira Mecânica no ITA e consegui PROUNI para Direito no Dom Bosco.
E é nesse ponto da história que as mudanças vem. O teatro e a política se misturam, e eu descubro que minhas duas paixões não precisariam disputar, mas poderiam sim coexistir. Percebo que tanto no movimento sindical como nas artes minha visão política poderia ser expressa, em greves, peças teatrais, atos, manifestações, monólogos, etc.
E é em uma dessas manifestações que a idéia / projeto da candidatura surge. No dia em que o movimento estudantil junto com a CUT ocupa a Câmara para manifestar repúdio aos atos ilícitos do então presidente da Câmara, Derosso, pedindo sua cassação.
Ficamos o dia todo sentados esperando a sessão que debateria o caso, e no decorrer do dia conversamos com vereadores que estavam ali ocupando aquele cargo há mais tempo do que eu tinha de vida. Me vi ali, num espaço que deveria ser do povo e para o povo sendo usado por pessoas que haviam esquecido deste propósito. Que tinham tornado a via pública uma profissão e não uma vocação. E muitos passando o legado de geração para geração como se fossem detentores de um poder que não podemos alcançar.
Percebi que há tempos eu luto por um mundo melhor, mas não estava me colocando nos espaços que muitas vezes definem os rumos que minha cidade, estado e país irão tomar, desde então passei a participar ativamente do partido e a alimentar, o que agora se tornou realidade, a candidatura.

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