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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Madrugada de 05/12/09

Essa carta será amarga, tão amarga quanto é o gosto que sinto em minha boca após uma carteira de cigarros.
Amarga da amargura que se passa no meu corpo, nos meus sentidos.
Acordei com uma dor de ouvido estranha hoje, passei o dia todo ouvindo mal, muito mal, distante de tudo que acontecia.
Ouvi Legião Urbana o dia todo, todos os CD’s, todas as palavras que tanto conheço, que tanto me tocam.
Pressentimento? Talvez.
Mas tem coisas que quero te dizer, coisas que quero que pense sobre. Mais uma vez repito. Jamais. Jamais. Minta para mim. Isso pra mim sim, é uma traição.
Tu podes fazer o que quiseres. Tudo que quiseres. Mas não minta pra mim. Não esconda nada. Posso relevar atos, atitudes que outros julgam incabíveis. Mas não tolero o fato de não sabê-los.
Sou simples nesse sentido.
Complicada em vários admito. Confusa, perdida, amarga, suicida infeliz sem sucesso na tentativa, pessoa triste que gosta da melancolia e que gosta do escuro do poço, que aceitou pra si os momentos em que se vê nele.
Mas levo minha vida com regras simples.
Ser justa com base nos meus princípios, ser honesta sempre até para mim mesma. Se crio fantasias, estórias, sonhos, é apenas uma doce ilusão para amargura dos dias que se passam.
Sou racional, racional demais às vezes. Sabendo dar ordens aos mais diversos sentimentos que quiçá possam tentar dominar meu ser. Ódio, raiva, medo, previsões, paixões, amores. Foram poucas as vezes que fugiram ao controle.
Talvez por isso não saiba cair em lágrimas, soluçar qual uma criança que perdeu o doce ou a donzela que chora o amor perdido. Não tenho esse alívio, mas aceito o purgatório.
Aceito as lágrimas correndo em mim, dentro de mim, aceito sentir os cortes que não mais faço na minha carne, mas que teimam em sangrar quente dentro de mim. Em sentir a lâmina que passa calma e invisível sobre minha pele como amiga cuidadosa que num carinho decide a intensidade, profundidade e tempo da marca que irá deixar.
Sou sim essa máscara de sorrisos, defesa mais conhecida de todos os tempos. Sou mulher escondida nesses 22 anos que muito já me ensinaram.
Vivi e vivo sim na alternância do sentir e do voyerismo. De questionar e de ver os mecanismos da roda da fortuna a girar. De fruir e de ver a linha sendo trançada pelas moiras.
Assim como sei que cada um também é o Louco a beira do abismo escolhendo entre as mil possibilidades que ao sair do útero negro do fundo da caverna lhe aparecem.
Assim como entendo que como a Lua e Hécate todos temos a face que quisermos ao nosso bel prazer.


Só tenha cuidado onde pisa... o lago é traiçoeiro... o fundo pode ter pedras lisas e cheias de musgo, e logo ali pode haver um buraco que tu podes cair distraída pela beleza da cascata que se forma no fundo.
Grandes lagos também podem esconder muitas histórias no seu fundo escuro... lágrimas derramadas a beira, fluidos de corpos de amantes, sangue de cortes finos lavados às pressas.

Noturna. Soturna. Taciturna.

Os pensamentos são vagos... confusos... como sempre o são quando a raiva distorce a realidade.
Como quando Otelo embebido pelo veneno das palavras de Iago comete a maior das atrocidades.

São palavras, pensamentos... devaneios tolos de alguém que nesse momento só enxerga podridão, que sente o cheiro pútrido das mentiras veladas. Da inocência que é falsária para a vergonha. Da traição no mais baixo escalão da moral e da consciência – da mentira.

Não gosto desse abalo no meu ser, não desse que não é do meu feitio. Não desse que raras vezes me desestabilizou. Não desse que tenta me tirar o chão no qual meus pés estão fincados. No qual a obrigação, as cobranças e por fim eu mesma enterrei. Decidi enterrar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Uma vez Davi mentiu, e de novo, e de novo e de novo. Avisei os meus parentes, porque ele estava com o hábito de atender o telefone e dizer que eu não estava, ou inventando outra coisa qualquer. Aé o dia em que, ele falando verdade, uma pessoa teimou em não acreditar nele. Ficou profundamente magoado e mudou. Não digo que nunca mais mentiu, mas aprendeu o que é a consequência de uma mentira - é sua palavra ser posta a prova sempre, não ser levado a sério, ser leviano. Ou seja, quem é prejudicado grandemente é ele próprio e sua imagem.

Eu já parto da premissa de que a mentira já nasceu com o homem. Uns mais mentirosos qeu outros. Assim, a pergunta: você entregaria a sua vida nas mãos de alguém? Evidente que não - sua vida é preciosa demais para ser decidida por outra pessoa. Portanto, se a pessoa é confiável ou nào, pouco importa, porque o mais importante você já tem resguardado, que é sua própria vida.

Cuide da sua vida como o bem mais precioso, como realmente é. O que as outras pessoas fazem com a própria imagem deixando-se levar pela mentira não pode afetar o cuidado e o amor que você tem por você mesma.

Claro que decepciona e, quanto mais racional, aparentemente mais passional dentro de nós. Mais confusas, porque é uma coisa qeu foge ao controle. Mais exasperante, porque não sabemos o que fazer exatamente para voltar ao estagio original.

Mas garanto: passa. E a gente amadurece e aprende a lidar com estas situações e tantas outras que nos darão uma bagagem de vida e história considerável.

Gosto de você, menina. Verdade. ;)

beijinhos