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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Projeto Monólogo - Haley

Esse é o texto que usarei para meu monólogo, também chamado de BIFE, o porquê eu não sei... hehe

Trecho retirado da Peça Killer Disney, de Philip Ridley

Haley:
E eu te contei o que aconteceu. Como, quando eu cheguei no fim da rua, uma matilha de cães apareceu. Sete. Grandes e imundos. Cheios de vermes no pêlo. Baba nos beiços. Olhos como coágulos de sangue. Um cão começou a me farejar. Seu focinho como um gelo entre minhas pernas. Depois começou a rosnar. Seus beiços se arregaçaram sobre os dentes amarelos. Ele começou a correr atrás de mim. Eu corria. Corria e gritava. Os outros cães também correram atrás de mim. Eles uivavam e rosnavam como lobos. Eles me perseguiram até um terreno baldio. Eu caí. Cai em cima de um monte de latas. Tinha um gato morto. Minha mão entrou no estomago dele. Mole como uma fruta podre. Eu gritei. Gritei tão forte que fiquei com gosto de sangue na boca. Um dos cães mordeu meu casaco. Eu tentei me livrar. Meu casaco rasgou-se. Corria e corria. Tudo o que eu conseguia ouvir eram grunhidos e rosnados e o barulho do meu coração. Eu saí do terreno baldio correndo. Atravessei o estacionamento velho e entrei na igreja abandonada. Os cães continuavam me perseguindo. E eu estava lá, de pé, na frente do altar, com sete animais raivosos avançando em cima de mim. Eu peguei umas bíblias velhas e joguei neles. Não adiantou nada. Os cães despedaçaram-na. Tive tanto medo. E os cães podiam cheirá-lo. Meu medo. Ele os atraia. Eles chegavam mais e mais perto. Eu sentia o seu hálito na minha pele. Quente e fedendo a vomito. Eu recuei. Tropecei nuns degraus. Quis rezar. Mas não conseguia. Eu sabia que se conseguisse rezar ou cantar um cântico, os cães me deixariam sozinha. Mas tudo o que eu conseguia era gritar. Aí um cão se lançou em cima de mim. Eu dei um pulo. Levantei as mãos. Agarrei alguma coisa. Era liso. Frio. Sólido. Comecei a subir. Como numa árvore. Eu estava no meio do caminho quando percebi que estava subindo num crucifixo de mármore e que meu peito se apertava contra o peito de Cristo. Eu me senti tão reconfortada e protegida. Aí um cão tentou me morder os pés. Arrancou-me um sapato. Meus dedos sangraram. Uma gota de sangue caiu na boca aberta do cão. Ele ficou doido. Começou a subir no crucifixo. Eu escalei mais ainda, pus minhas pernas em volta da cintura do Salvador, agarrei-me à coroa de espinhos com todas as forças. Então o pé do crucifixo começou a balançar. A oscilar de um lado pro ouro. Ele podia cair a qualquer minuto e me jogar no meio dos cães. Como um cristão aos leões famintos. Eu tinha tanto medo. Eu beijei os lábios de Cristo. Disse: ”Salve-me. Não deixe o crucifixo cair”. Mas o crucifixo caiu assim mesmo. Eu me esmaguei no chão. Os cães mordiscaram meus dedos ensangüentados. Vou ser devorada viva, pensei. Devorada por cães selvagens. Gritei: “Socorro! Socorro!”. E aí... Tiros de fuzil! Eu me encolho a cada tiro. Eu olho à minha volta. Os sete cães estão mortos. O sangue escorrendo dos buracos dos seus crânios. Eu me sinto mal. Um padre se aproxima. Segurando um fuzil de caça. Ele me pergunta se estou bem. Eu lhe digo que sim. Ele diz: “Você veio se confessar?”. Eu digo: “Sim”. Porque eu acho que é o que ele quer ouvir e que eu lhe devo alguma coisa por ter me salvo a vida. Eu entro no confessionário com ele e ele me pergunta o que eu fiz de errado. Eu lhe digo que não consigo pensar em nada. Ele diz: “Não seja besta. Ninguém é perfeito”. Eu que ele tem razão. Sei que fiz alguma coisa. Alguma coisa que fez de mim uma menina desobediente. Mas eu não consigo me lembrar. Eu lhe digo que não consigo pensar em nada. Ele me diz para pensar bem. Eu sinto que ele começa a ficar zangado e decepcionado. Ele quer me perdoar, mas eu não lhe dou nenhuma chance. Finalmente, eu digo: “Eu beijei os lábios do Cristo e eles tinham gosto de chocolate”. Ele me trata de pecadora e diz que devo me arrepender. Eu pergunto se posso ser absolvida e ele responde: “Não! Seus pecados são grandes demais”. Eu saio da igreja aos prantos. Juro que nunca mais vou fazer compras.

3 comentários:

Gustavo Martins disse...

Um grante e robusto tê grandão esse texto.

Ju: o que é Carila?

Unknown disse...

Carila = larica ao contrário...
Mas não, não é isso...

É minha amiga e ex vizinha que agora mora em Sampa

Mirian Martin disse...

Menina, isso parece aqueles sonhos malucos em que você acorda super cansada! E morrendo de medo de sair de casa!
Adorei!